sábado, 22 de setembro de 2012




“Medo do cheiro dos travesseiros.
Medo do cheiro das roupas.
Medo do cheiro nos cabelos.
Medo de não respirar sem recuar.
Medo de que o medo de entrar no medo
seja maior do que o medo de sair do medo.
Medo de não ser convincente na cama,
persuasiva no silêncio, carente no fôlego.
Medo de que a alegria seja apreensão,
de que o contentamento seja ansiedade.
Medo de não soltar as pernas das pernas dele.
Medo de convidá-lo a entrar, medo de deixá-lo ir.
Medo da vergonha que vem junto da sinceridade.
Medo da perfeição que não interessa.
Medo de machucar, ferir, agredir para
não ser machucada, ferida, agredida.
Medo de estragar a felicidade por não merecê-la.
Medo de não mastigar a felicidade por respeito.
Medo de passar pela felicidade sem reconhecê-la.
Medo do cansaço de parecer inteligente
quando não há o que opinar.
Medo de interromper o que recém iniciou,
de começar o que terminou.
Medo do aniversário sem ele por perto,
dos bares e das baladas sem ele por perto,
do convívio sem alguém para se mostrar.
Medo de enlouquecer sozinha.
Não há nada mais triste
do que enlouquecer sozinha.
Você tem medo de já estar apaixonada.”

Fabricio Carpinejar



sexta-feira, 14 de setembro de 2012




Estou mais perto de ti
porque te amo.
Os meus beijos
nascem já na tua boca.
Não poderei escrever
teu nome com palavras.
Tu estás em toda a parte
e enlouqueces-me.

Canto os teus olhos
mas não sei do teu rosto.
Quero a tua boca
aberta em minha boca.
E amo-te
como se nunca 
te tivesse amado
porque tu estás em mim
mas ausente de mim.

Nesta noite
sei apenas dos teus gestos
e procuro o teu corpo
para além dos meus dedos.
Trago as mãos
distantes do teu peito.

Sim, 
tu estás em toda a parte.
Em toda a parte.
Tão por dentro de mim.
Tão ausente de mim.
E eu estou perto de ti
porque te amo.

Joaquim Pessoa



terça-feira, 11 de setembro de 2012


Não vou pôr-te
flores de laranjeira no cabelo
nem fazer explodir
a madrugada nos teus olhos.

Eu quero apenas
amar-te lentamente
como se todo o tempo
fosse nosso
como se todo o tempo
fosse pouco
como se nem sequer
houvesse tempo.

Soltar os teus seios.
Despir as tuas ancas.
Apunhalar de amor
o teu ventre.

Joaquim Pessoa






O absoluto de tua ausencia

Minha voz caminha pelo espaço...
choca-se com as nuvens
esbarra-se nas estrelas
e estilhaça, de encontro ao sol.
E a vontade de te ver
continua habitando em meu ser.
Angustiando meu espírito,
nada existe constatando,
com o desespero e com a ausencia.
Teu corpo balança em minha mente.
Tão confusa e tão doente
E, já não vivo em mim...
No entanto é como se existisse
em meu destino a certeza fatal
de um alongado encontro.
E no corpo da noite,
o negro dos teus cabelos
Está ao sabor de um vento...
Que eu não sinto...
A noite está fria...
Terrivelmente fria
E eu caminho em vão pelas horas
Levando em mim
o absoluto de tua ausencia...

Renato Neves


Tu és...

"...Tu és todos os
sons de todo o silêncio,
Por isso eu te espero
Te quero e te penso.
Como uma ilha,
Sozinha..."

Pedro Abrunhosa



 
Sensual

Ainda sinto o teu corpo ao meu corpo colado;
nos lábios, a volúpia ardente do teu beijo;
no quarto a solidão, desnuda, ainda te vejo,
a olhar-me com olhar nervoso e apaixonado...

Partiste!... 
Mas no peito ainda sinto a ânsia e o latejo
daquele último abraço inquieto e demorado...
- Na quentura do espaço a transpirar pecado,
Ainda baila a figura estranha do desejo...

Não posso mais viver sem ter-te nos meus braços!
- Quando longe tu estás, minha alma se alvoroça
julgando ouvir no quarto o ruído dos teus passos...

Na lembrança revejo os momentos felizes,
e chego a acreditar que a minha carne moça
na tua carne moça até criou raízes!...

  ( J. G. de Araujo Jorge - coletânea -
in "Poemas do Amor Ardente" 1961 )

Lembranças

Havia naquele sonho uma ilusão.
Ouvi muito um som: - de algaravia!
Vi que o cofre estava frio, vazio...
Enxuguei todos os prantos da canção...

Havia muita alegria de adoração,
mas o amor chegou: - e era tardio!
Bolhas passaram às margens do rio;
feneci no navio do coração!

Grito!... 
Gritos com sombras do espelho!
Era visão: - vestida de vermelho!
- Ela chegou!... Com nave cor de rosa...

Dói o tinir do som daquele hino.
Tudo fantasia: - olhos do menino;
e estão grafadas! (notas de outrora)

Machado de Carlos




domingo, 9 de setembro de 2012





Vem !

Vem me contar um segredo
E que sua morna respiração
Chegue primeiro e
Na base do ouvido,
Que as palavras percam o sentido.

Vem!

Vem me abraçar,
Fazer todos os contatos
Dividir o mesmo quarto,
Se perca para eu te achar!

Vem!

Vem dividir essa vida
Me dar paz e acolhida
Me receber em seus braços.

Vem!

Vem viver, rir, acontecer
Compartilhar, dividir,
Se encontrar, sentir,
Olhar nos olhos….
E se deixar apaixonar,

Vem!

Betânia Uchôa





Eu tenho um coração um século atrasado
ainda vive a sonhar...
ainda sonha, a sofrer...

acredita que o mundo é um castelo encantado
e, criança, vive a rir, batendo de prazer..

Eu tenho um coração - um mísero coitado
que um dia há de por fim, o mundo compreender...
- é um poeta, um sonhador, um pobre esperançado
que habita no meu peito e enche de sons meu ser...

Quando tudo é matéria e é sombra - ele é uma luz
ainda crê na ilusão, no amor, na fantasia
sabe todos de cor os versos que compus...

Deus pôs-me um coração com certeza enganado:
- e é por isso talvez, que ainda faço poesia
lembrando um sonhador do século passado


J.G de Araujo Jorge






Não eras para os meus sonhos, 
não eras para a minha vida, 
nem para a minha dor, 
não eras para os prantos 
das minhas duras feridas, 
não eras para os meus braços, 
nem para a minha canção. 


Pablo Neruda, 
in 
'Cadernos de Temuco' 








Te amo com a alma

Eu posso admirar
os teus olhos,
mas é o teu coração
que eu desejo.

Lindo é o contorno
dos teus lábios;
Inigualável é a beleza
de tua alma.

Envolvente são as ondas
dos teus cabelos,
mas eu quero navegar
tranquilamente
pelos mares do teu ser.

Quero te abraçar,
me envolver na emoção,
me entrelaçar em tua luz
e tocar em teu coração,
delicadamente com o meu viver.

Mauricio Chila Freyesleben







Se estes fossem 
meus últimos versos
Talvez falasse de
Meus desejos
Falaria de segredos 
do por do sol.
Dos amigos que amo
E de inimigos que sem querer
Cruzaram meu caminho.
Falaria dos medos
Das fraquezas
Das saudades 
que nunca revelei.
Se estes fossem 
meus últimos versos.
Confessaria o meu amor
E morreria feliz! 

Pablo Neruda







ODE A CASSANDRA

Vem, amor, 
vem ver se a rosa
Que ontem, 
fresca e perfumosa
se abriu ao sol estival,
não perdeu o viço ainda
e conserva, rubra e linda,
cor à de teu rosto igual.

Oh, amor! Vê quão depressa.
Fenecendo, a rosa cessa
De ser bela e ser louça!
Como é madrasta a Natureza,
pois que tal flor jamais dura
do entardecer à manhã!

Meu conselho é, pois,amor,
Que, enquanto na vida em flor,
Encantos possam sobrar-te:
Colhe, colhe a mocidade,
Pois como à rosa a idade
Da beleza há de privar-te.

PIERRE DE RONSARD







Quando Chegares...

Não sei se voltarás
sei que te espero.

Chegues quando chegares,
ainda estarei de pé, 
mesmo sem dia,
mesmo que seja noite, 
ainda estarei de pé.

A gente sempre fica acordado
nessa agonia,
à espera de um amor 
que acabou sendo fé...

Chegues quando chegares,
se houver tempo, 
colheremos ainda frutos, 
como ontem,
a sós;
se for tarde demais, 
nos deitaremos à sombra e
perguntaremos por nós...

J. G. de Araujo Jorge






Só tu sabes os segredos mais íntimos de mim
e conheces os medos, mistérios e enredos
que do princípio ao fim me percorrem os dias.

Mas também as alegrias que partilho contigo
todas, uma por uma, sem que exista o perigo
de te esconder alguma.

Só tu sabes como sou, embora imperfeito,
alguém que se moldou à curva do teu peito. 

Torquato da Luz








QUANDO ME FALTAS

Quando me faltas,
deserta o ar,
fogem-me as esperanças,
soterram-se os dias,
aglomeram-se os pensamentos,
oculta-se o sonho
e sob as pálpebras do silêncio
Dorme o tempo, 
amparando a ausência.

Quando me faltas,
pássaros e estrelas dispersam-se.
Escuridões amarram-me à imensidão,
abandona-me a sede de versos
atam-se os verbos em minhas mãos.
Carícias vagueiam, desalinham-se
e meu desejo perambula pelo universo,
em viagens e pensamentos vãos...

Quando me faltas
Despeço-me de mim
Fico sem começo, nem fim.
Consumido em eternos círculos,
Findam-se as perguntas,
Vai-se a curiosidade
Desbota-se o céu, arrefece meu olhar.
Disfarço-me em sorrisos de neve

Quando me faltas
escapa-me a seiva da vida,
o coração tem lapsos de pulsar.
Voam para longe os crepúsculos,
Distanciam-se as alvoradas...
Submeto-me sem passaporte
Às fronteiras que te guardam
E no vento da saudade, 
levo meus passos...


J.B Xavier & Fernanda Guimarães






SILÊNCIO

Cuide para que teu silêncio
Não te traga marcas
Que emudeça a alma
Calando tão belos momentos

Tenha sempre em mente
Que nunca ter sido lembrado
É melhor que esquecido totalmente
Quando se foi tão amado...

Silenciar é uma arte
Que instiga reflexão
Como palavras de sabedoria,
O silêncio provoca uma ação.

Cuide para que teu silêncio de agora
Não se transforme depois
Em grandes e tristes ecos de dor
Pois Jamais haverá vitória
Na derrota do Amor....

Seja sábio ao silenciar
Pois poderá escutar 
esses brados do tempo: 

_ Minha voz é calma e suave
Mas não queira ouvir o meu silêncio
...É ensurdecedor!

Rose Feliciano