ODE A CASSANDRA
Vem, amor,
vem ver se a rosa
Que ontem,
fresca e perfumosa
se abriu ao sol estival,
não perdeu o viço ainda
e conserva, rubra e linda,
cor à de teu rosto igual.
Oh, amor! Vê quão depressa.
Fenecendo, a rosa cessa
De ser bela e ser louça!
Como é madrasta a Natureza,
pois que tal flor jamais dura
do entardecer à manhã!
Meu conselho é, pois,amor,
Que, enquanto na vida em flor,
Encantos possam sobrar-te:
Colhe, colhe a mocidade,
Pois como à rosa a idade
Da beleza há de privar-te.
PIERRE DE RONSARD

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